VMware quer facilitar adoção de IA generativa nas empresas

Companhia de software corporativo traz ao Brasil solução que simplifica a integração e a criação de modelos generativos; ideia é impulsionar aplicações feitas para nichos, mais baratas do que grandes modelos de linguagem
VMware apresenta soluções que facilitam a implementação de IA generativa nas empresas
José Duarte, presidente da VMware no Brasil (à esq.); Amanda Blevins, CTO global (ao centro); e André Andriolli, diretor sênior de Engenharia na América Latina (crédito: Eduardo Vasconcelos /TeleSíntese)

A empresa de computação em nuvem e software corporativo VMware planeja facilitar a adoção de Inteligência Artificial (IA), incluindo modelos generativos, por negócios que já utilizam suas plataformas e soluções digitais. A companhia apresentou, nesta quarta-feira, 18, em evento em São Paulo, aplicações que têm o objetivo de abrir caminho para a implementação de tecnologias generativas nas organizações.

Entre as novidades está a VMware Private AI Foundation, solução desenvolvida em parceria com a empresa de chips Nvidia que visa a simplificar a integração de aplicações de IA generativa, além de permitir a criação e a personalização de modelos de IA próprios. Também mereceu destaque o VMware NSX+, um novo serviço gerenciado em nuvem para ambientes multi-cloud.

“O nosso objetivo é facilitar o uso da IA. Grande parte das organizações já usa soluções da VMware. Então, estamos facilitando a adoção da tecnologia pela nossa base de clientes”, destacou José Duarte, presidente da empresa no Brasil, em coletiva de imprensa realizada em meio ao evento VMware Explore 2023.

Sem revelar nomes, executivos da companhia citaram que já há empresas no País usando os softwares de criação e integração de IA generativa em seus negócios, sobretudo nos setores de manufatura e óleo e gás. No entanto, a VMware considera que o mercado ainda está tateando a tecnologia, isto é, tentando entender, de fato, como aproveitar as vantagens dos modelos generativos.

“Muita gente nos procura dizendo que quer fazer um experimento localizado. Não querem pôr na empresa inteira, preferem entender tudo primeiro”, contou Duarte. “Ninguém está sentado esperando. Estão sentindo a temperatura da água, até porque ninguém quer ficar para trás, esse é o grande medo”, acrescentou.

Modelos mais baratos

A vice-presidente e CTO global da VMware, Amanda Blevins, apontou que o futuro da IA generativa passa pela construção de modelos que atuem em nichos de mercado.

Segundo ela, uma aplicação como o ChatGPT, que tenta abordar tudo sobre qualquer assunto, é muito cara para ser desenvolvida e treinada. Desse modo, enquanto o custo de interação com um grande modelo de linguagem pode girar em torno de US$ 1, uma IA generativa específica pode responder a mesma pergunta ao custo de centavos.

“A IA generativa chegou há praticamente um ano [com o lançamento do ChatGPT em novembro de 2022], mas agora é hora de entender como aplicá-la nos negócios. Um modelo menor pode ser mais eficiente”, ressaltou.

Regulação de IA

Os diretores da VMware foram categóricos em afirmar que a IA precisa ser regulada – no Brasil, tramita no Congresso Nacional um projeto de lei, apresentado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pachego, e formulado por uma comissão de juristas, com esse objetivo.

Enquanto isso não ocorre, Duarte afirmou que a solução Private AI Foundation, que permite construir modelos próprios de IA generativa, foi projetada para receber ajustes caso tenha que se adequar a uma eventual lei no futuro.

“Como cidadão, quero, sim, regulação. Se não, pode virar um faroeste perigoso”, frisou o presidente da unidade brasileira da VMware.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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