UE precisa investir mais 200 bilhões de euros para completar cobertura 5G

Bloco considera que metas da Década Digital estão atrasadas e pede que países-membros acelerem os investimentos na tecnologia de quinta geração móvel, fibra, semicondutores e digitalização de empresas para cumprir objetivos até 2030
UE quer 200 bilhões de euros adicionais para investir em 5G e fibra
UE precisa investir mais em 5G e fibra para alcançar metas de conectividade da Década Digital (crédito: Freepik)

A União Europeia (UE) estima que, até 2030, tenha que investir pelo menos 200 bilhões de euros (aproximadamente R$ 1,06 trilhão) nas infraestruturas de fibra óptica e 5G para levar cobertura de banda larga a todas as zonas povoadas do bloco.

Em relatório no qual avalia o andamento das metas da chamada Década Digital, divulgado nesta semana, a união econômica de 27 países avalia que será necessário acelerar os investimentos em conectividade, caso queria alcançar os objetivos estipuladas até o fim desta década.

Para 2030, o bloco definiu que o fornecimento de velocidades de gigabits “deve estar disponível para todos” e que as redes 5G de alto desempenho precisam alcançar todas as áreas povoadas. No entanto, até o momento, a infraestrutura de fibra chega a apenas 56% das famílias. O sinal da tecnologia de quinta geração móvel, por sua vez, cobre 81% da população, mas cai para 51% quando se avalia as zonas rurais separadamente.

“A implantação de redes 5G standalone está atrasada e a qualidade do 5G contínua aquém das expectativas dos usuários finais e das necessidades da indústria”, pontua a UE, citando que 55% das residências rurais não são servidas por nenhuma rede avançada e 9% não têm qualquer cobertura fixa.

“Os Estados-Membros devem mapear as suas lacunas de conectividade e explorar o financiamento para complementar o investimento privado em áreas que não são comercialmente viáveis”, recomenda a Comissão Europeia, órgão executivo do bloco.

Semicondutores e digitalização

No relatório, a UE também manifesta preocupações com a indústria de semicondutores. O objetivo do bloco é dobrar a sua participação na produção mundial de chips de ponta, passando de 10% para 20% do mercado, até 2030. A expectativa é de que a Lei Europeia de Chips, que entrou vigor neste mês, forneça os incentivos necessários para que as fábricas deem o salto almejado.

“Os estados-membros devem promover políticas e investimentos nacionais para estimular ainda mais as capacidades domésticas de concepção e fabricação de chips e para aumentar as competências locais em tecnologias avançadas em todos os setores”, destaca a comissão.

Além disso, o bloco projeta que, sem investimentos adicionais, não conseguirá alcançar as metas de digitalização de negócios. Ao ritmo atual, 66% das empresas devem adotar soluções de nuvem, 34% de big data e 20% de Inteligência Artificial (IA) até 2030, ficando abaixo do percentual estipulado para essas tecnologias (75%).

“A mensagem do nosso primeiro relatório da Década Digital é clara: precisamos acelerar os nossos esforços para alcançar as nossas metas até 2030”, comenta Thierry Breton, comissário de Mercado Interno. “Agora é o momento de trabalhar em conjunto para colocar a Europa na vanguarda da transição digital. Este é o significado das recomendações que transmitimos aos países-membros”, complementa.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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