Trabalhamos para ter apenas um padrão 6G no mundo, diz diretor da Ericsson

Magnus Frodigh, vice-presidente de pesquisa da empresa, diz que duplo padrão não é vantajoso dos pontos de vista econômico e tecnológico, mas, se acontecer, espera que sistemas não sejam significativamente distintos
Magnus Frodigh, vice-presidente de pesquisa da Ericsson, defende a existência de apenas um padrão para o 5G
Ericsson prefere que exista apenas um padrão 6G, diz Magnus Frodigh (foto: Pedro Amatuzzi/Inova Unicamp)

Mesmo que a era do 5G ainda esteja no início, as empresas que atuam na área de telecomunicações já realizam pesquisas sobre a próxima geração de internet móvel. Um temor a respeito do vindouro 6G é um possível duplo padrão da tecnologia, em função de disputas geopolíticas, especialmente entre os governos da China e dos Estados Unidos.

Segundo Magnus Frodigh, vice-presidente de pesquisa da Ericsson, ter apenas um padrão para cada geração de internet traz muitas vantagens tecnológicas e econômicas.

“Até aqui, ainda estamos trabalhando pensando em ter apenas um sistema 6G”, destacou, em entrevista realizada durante a inauguração do Centro de Pesquisa em Engenharia Smart Networks and Services 2030 (Smartness), uma parceria da empresa com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na cidade do interior de São Paulo, na segunda-feira, 5.

“Estamos acompanhando o desenvolvimento para ver o que será exigido. Se for necessário ter dois [padrões], teremos, com certeza”, complementou.

Na visão de Frodigh, o eventual duplo padrão prejudica economias de escala. Nesse sentido, se acontecer, o executivo espera que as tecnologias não sejam muito diferentes. Além disso, a empresa deverá atuar para que “as tecnologias sejam as mais comuns possíveis”.

“Pode ser fragmentado, mas também complementar. Quanto mais comum for, especialmente no que diz respeito aos chipsets, no sentido de providenciar escala massiva de dispositivos, acredito que pode ser vantajoso em termos de hardware”, avaliou.

Com base em um ciclo de dez anos entre as tecnologias, Frodigh estima que o 6G chegue por volta de 2030. O laboratório Smartness, cuja previsão inicial é de que as operações se prolonguem até 2033, deve contribuir para o desenvolvimento das aplicações de quinta e sexta gerações de internet móvel.

“Quando o 5G estiver maduro, será o tempo de escalar. É difícil dizer exatamente o que será [o 6G]. Mas teremos máquinas autoconectadas e mais inteligentes, que precisarão de mais capacidade de rede”, sinalizou o vice-presidente de pesquisa da Ericsson.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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