Nokia dobra pedidos de IA e nuvem, mas lucro cai 95%
Divisão registrou € 2,8 bilhões em encomendas, enquanto lucro líquido da fabricante caiu 95%, para € 5 milhões.

A Nokia registrou € 2,8 bilhões (cerca de R$ 16,2 bilhões em conversão direta) em pedidos na divisão de inteligência artificial e nuvem no segundo trimestre de 2026. O montante mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, segundo os resultados divulgados pela fabricante nesta quinta-feira, dia 23.
O desempenho foi registrado durante a reorganização estratégica anunciada pelo CEO da companhia, Justin Hotard. O plano alterou a estrutura da Nokia e estabeleceu como uma das prioridades as oportunidades relacionadas à IA. “Estou encorajado com a execução e o progresso que fizemos em um curto período de tempo” desde o anúncio da estratégia, afirmou Hotard.
As vendas líquidas da Nokia cresceram 8% na comparação anual e chegaram a € 4,8 bilhões. O lucro líquido, por sua vez, caiu 95%, para € 5 milhões (cerca de R$ 29 milhões).
Segundo a fabricante, o resultado foi afetado por € 390 milhões em encargos relacionados à aceleração da reestruturação e a outros custos não recorrentes. A Nokia informou que, sem esses fatores, seu resultado final teria apresentado crescimento de 64%.
Reestruturação custará € 800 milhões
A Nokia prevê gastar € 800 milhões ao longo deste ano com diferentes frentes de reorganização. Desse total, aproximadamente € 250 milhões estão relacionados à etapa final de um programa iniciado em 2023.
Outros € 350 milhões serão destinados à integração e à simplificação das operações da Nokia na China, após a companhia assumir o controle integral de uma joint venture no país.
Os € 200 milhões restantes serão aplicados em medidas adicionais de reestruturação, principalmente na Europa. Segundo a fabricante, as ações fazem parte da simplificação de seu modelo operacional e do direcionamento de recursos para áreas consideradas oportunidades de crescimento. A Nokia não detalhou as medidas previstas.
Nokia prepara venda do Enterprise Campus Edge
A companhia também transferiu o negócio Enterprise Campus Edge para a categoria contábil de operações descontinuadas. A unidade, atualmente submetida a uma revisão estratégica, inclui parte da oferta empresarial de redes privativas da fabricante.
A Nokia considera “altamente provável” a assinatura de um acordo para a venda do negócio. A companhia não revelou potenciais compradores nem informou um prazo para a negociação.
A unidade passa a ser contabilizada como operação descontinuada ao lado do negócio de equipamentos de acesso fixo sem fio instalados nas dependências dos clientes, segmento conhecido como FWA CPE. A Nokia já firmou um acordo para vender essa operação à Inseego.
A possível venda do Enterprise Campus Edge integra a reorganização anunciada pela fabricante em novembro de 2025.
Fabricante comprará unidade da NXP nos EUA
Junto aos resultados trimestrais, a Nokia anunciou um acordo para comprar da NXP o campus de fabricação de semicondutores localizado em Chandler, no estado norte-americano do Arizona. A conclusão da operação depende de autorizações regulatórias.
A Nokia pretende utilizar a instalação para produzir semicondutores de fosfeto de índio destinados a componentes ópticos. Segundo a companhia, a aquisição faz parte de seu planejamento industrial de longo prazo.
A transação deve ser concluída no primeiro trimestre de 2029. Antes do fechamento, a Nokia planeja arrendar parte da capacidade da unidade a partir do início de 2027.
Os valores envolvidos na aquisição não foram divulgados.




