Eixo Rio-São Paulo concentra pressão por infraestrutura de dados em segurança urbana
Projetos como Smart Sampa e 190 Integrado ampliam uso de câmeras, IA, centros de operação e redes conectadas, mas painelistas alertam para governança, redundância e controle humano.
O eixo Rio-São Paulo aparece como o principal laboratório brasileiro para o uso intensivo de dados, videomonitoramento e inteligência artificial em segurança urbana. No painel “Segurança, IA e Poder: Até Onde a Cidade Pode Monitorar para Proteger?”, do Smart Cities Mundi 2026, representantes do setor público, operadoras e especialistas discutiram como grandes centros urbanos estão estruturando redes, centros de operação e sistemas de monitoramento para lidar com volumes crescentes de imagens, alertas e bases de dados.

Em São Paulo, o Smart Sampa foi apresentado por Maurício Pimentel, head de produtização da Prodam, como um projeto municipal integrado a outras instâncias de governo. Segundo ele, o sistema foi licitado em 2023 e 2024, entrou em operação em novembro de 2024 e reúne câmeras próprias do município e imagens de sistemas privados. “São Paulo hoje tem alguma coisa como 42 mil câmeras conectadas, 22 mil são do próprio município e 20 mil vêm de sistemas e companhias e empresas privadas que fazem segurança patrimonial”, afirmou.
Integração entre município, Estado e União
Pimentel disse que o Smart Sampa acessa bases de procurados e opera com integração entre município, Estado e governo federal. “A base de procurados não é nem do governo do Estado, nem do município. A base de procurados é federal”, afirmou. O centro operacional do projeto conta com assentos da Polícia Militar, saúde, desenvolvimento social, trânsito e Defesa Civil.
No Rio de Janeiro, o Major Thyago Ferreira, diretor de Sistemas de Informação da Polícia Militar, descreveu o 190 Integrado como uma arquitetura estadual que começou com cerca de 350 câmeras, em 2023, e passou a agregar câmeras, dados e informações de parceiros públicos e privados. “A gente tem mais de 30 mil câmeras conectadas ao nosso sistema”, disse. Em outro momento, ao consolidar a rede capilar de videomonitoramento, ele estimou “cerca de 35 mil” câmeras.
Redes e operação 24 horas
Christiana Mello, VP de B2B da Vero, afirmou que provedores têm papel relevante nessa infraestrutura, especialmente em cidades médias. A executiva citou São José dos Campos e Pindamonhangaba como cases da empresa em cidades inteligentes. Segundo ela, em contratos públicos, a operadora segue o edital e mantém monitoramento remoto “24 por 7”, além de técnicos residentes nas cidades quando há necessidade de atendimento físico.
Paulo Humberto Gouvea, da TIM Brasil, levou a discussão para redes móveis e missão crítica. Ele defendeu que diferentes aplicações exigem diferentes arquiteturas, com acordos de nível de serviço, definição do core da rede e uso de redes públicas ou privadas conforme a demanda. Citou redes 5G privadas em portos, mineração e indústria, além de uso de slice 5G no Carnaval do Rio.
Governança vira requisito
A expansão desses sistemas também trouxe alertas. André Martins, presidente do IBTD, afirmou que câmeras, IA e cibersegurança são vetores convergentes, mas exigem atenção ao tráfego de dados sensíveis. “A grande questão é por onde trafegam esses dados? Que redes são essas? Qual o nível de segurança que elas têm?”, questionou




