Impostos travam data centers de IA no Brasil

No TS Data Centers, representantes de Oracle, Digia, Dell, Algar, Telebras e Prodam apontaram ReData, energia, conectividade e governança pública como condições para atrair investimentos.

data centers impostos

A carga tributária sobre equipamentos de data centers foi apontada como um dos principais entraves para o Brasil atrair investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A avaliação foi feita durante o painel “Cloud e Hyperscalers: panorama brasileiro de data centers, cloud e IA”, realizado no TS Data Centers, AI & Cloud Summit 2026, do Tele.Síntese, em Santana de Parnaíba-SP.

O debate reuniu Alessandro Molon, diretor-executivo da Digia; Bruno Assaf, country director de IA, cloud, cyberbackup e datacenter da Dell ISG Brasil; Felipe Patane, diretor de AI & ML – Generative AI da Oracle Latam; Fernando Garcia, diretor de Dados, Automação e IA da Algar; Marcelo Stella, gerente de novos negócios da Telebras; e Stanley de Jesus, engenheiro de data center da Prodam-SP. A moderação foi de Alexandro Castelli, vice-presidente da Abracloud.

Felipe Patane, da Oracle, afirmou que o Brasil tem condições favoráveis para receber data centers voltados à IA, mas perde competitividade na tributação. Segundo ele, a média global de impostos sobre GPUs fica entre 3% e 6%, enquanto no Brasil a carga era de 55% antes do ReData. “Brasil, pré-ReData, 55%. Gente, é mais de 10 vezes a média global”, disse.

Patane afirmou ainda que a alíquota subiu para 78% após o aumento do imposto de importação, de 3,6% para 25%. Para ele, o ReData buscava reduzir a incidência dos tributos federais, mantendo o ICMS estadual. “O ReData não é nada mais do que uma medida provisória para tentar adiantar a reforma tributária do ano que vem”, afirmou.

Energia, terras e geopolítica

Além da tributação, os painelistas citaram vantagens estruturais do Brasil. Patane resumiu o “case Brasil” em quatro pilares: estabilidade geopolítica, disponibilidade de terras, energia abundante e renovável e capital intelectual. “O Brasil é um país sem terremoto, sem tsunami, historicamente sem conflitos, sem perseguição religiosa”, disse.

Alessandro Molon, da Digia, também defendeu que o país precisa transformar potencial em investimento efetivo. Para ele, isso depende de competitividade tributária, planejamento energético, regulação proporcional, conectividade e coordenação institucional. “O Brasil tem tudo para ser esse país, mas depende da gente também”, afirmou.

Bruno Assaf, da Dell, disse que o ReData é uma iniciativa importante, mas destacou que a empresa iniciou a fabricação local de equipamentos para IA e armazenamento de dados. Na avaliação dele, além dos impostos, o país precisa enfrentar o desafio da formação de mão de obra. “O que a gente vê como principal obstáculo realmente é educação”, afirmou.

Conectividade segura e baixa latência

Fernando Garcia, da Algar, afirmou que as operadoras podem atuar como orquestradoras da infraestrutura necessária para IA. Segundo ele, a oportunidade está na oferta de “malha de conectividade segura e de alta performance” para integrar ambientes multicloud, escritórios, edge computing e nuvem pública.

Garcia disse que a baixa latência será essencial para aplicações de IA em tempo real. Ele citou o uso de IA generativa em call centers da Algar, com copilotos de vendas que acompanham conversas e sugerem respostas durante o atendimento. Para isso, segundo ele, será necessário ampliar backbone, rede metropolitana, last mile, 5G e infraestrutura de edge.

Marcelo Stella, da Telebras, afirmou que a estatal tem rede de 30 mil quilômetros e está ampliando a infraestrutura nas capitais. Ele também citou o uso de data centers em solo ligados ao satélite da empresa, incluindo um Tier 4 em Brasília, e defendeu a manutenção de dados públicos em infraestrutura nacional.

Municípios ainda avançam de forma desigual

Stanley de Jesus, da Prodam-SP, afirmou que há avanço, mas de forma fragmentada. Segundo ele, as adoções ainda ocorrem em silos e precisam de maior integração entre bases de saúde, finanças, educação e demais áreas públicas.

Stella acrescentou que o governo avança em ritmos diferentes. Alguns órgãos já usam IA, enquanto outros ainda estruturam processamento e backup. Para ele, o setor público tende a adotar tecnologia mais lentamente porque erros podem ter impacto amplo sobre a população.

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Paula Coutinho

Jornalista com mais de 20 anos de experiência profissional, com passagem pela grande imprensa, em jornais diários, semanários, revistas, rádios e emissoras de TV.

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