FWA poderá ser impulsionado com recursos do Fust

A tecnologia está sendo considerada pelo governo para levar conectividade em áreas não atendidas e para conectar escolas com recursos do fundo.

O mercado brasileiro está apostando na tecnologia FWA (Fixed Wireless Access) para ser uma extensão da rede de fibra óptica, seja para atender regiões ainda sem cobertura ou ser um complemento para as redes já instaladas. O movimento do setor privado ganha força com o uso dos recursos do Fust, o fundo de universalização para os serviços de telecomunicações. Entre as atividades/empreendimentos que poderão ser financiados com recursos do fundo estão projetos com a tecnologia FWA.

Após 23 anos de criação do Fust, os recursos estão sendo liberados para financiar projetos de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações. Outras entidades com atividades compatíveis com os projetos, como a organização social RNP (Rede Nacional de Pesquisa) terão acesso a crédito para aplicação em iniciativas que ampliem o acesso à internet banda larga no país, especialmente em escolas, favelas e áreas rurais.

Os recursos reembolsáveis poderão ser contratados nas modalidades direta (crédito a partir de R$ 10 milhões) e indireta (financiamentos de até R$ 10 milhões) por meio dos agentes financeiros credenciados pelo BNDES, que conta com uma rede de 60 agentes de repasse.

O BNDES dispõe atualmente de pouco mais de R$ 2 bilhões para financiar projetos na modalidade de crédito reembolsável direto em três áreas prioritárias: educação; expansão da telefonia móvel 4G ou 5G em áreas urbanas com baixa qualidade de rede e/ou baixa renda, incluindo favelas; projetos de rede de transporte de alta capacidade em fibra óptica para atendimento de áreas rurais selecionadas pelo Ministério da Agricultura (MAPA) e Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).

Projetos Prioritários

Entre as atividades dos projetos prioritários estão rede móvel 4G/5G e tecnologia FWA para levar conexão em favelas para atender domicílios e comércio; e rede móvel 4G/5G e FWA em locais indicados pelo MAPA e pelo MDS. Além de projetos prioritários, o FWA poderá ser a base de outros projetos a serem apresentados ao BNDES como aqueles no escopo do Fust Cidades. O que muda são as taxas de juros: para os projetos prioritários, será aplicada a TR mais 1%, mais a taxa de risco variável (conforme risco do cliente e prazo de financiamento) e, para os não prioritários, a taxa passa a ser de 2,5%.

A indicação do FWA nos projetos a serem financiados pelo BNDES com os recursos do Fust é bem-vista pela indústria de telecomunicações. Há mais de seis meses, Carlos Roseiro, diretor de Soluções Integradas da Huawei, já defendia o uso da tecnologia.

Ao participar do Fórum das Operadoras Inovadoras realizado em São Paulo, Roseiro apontou o FWA como uma alternativa de conectividade ultrarrápida em lugares distantes, nos quais o cabeamento por fibra óptica pode ser custoso, e também como alternativa nos grandes centros. Citou como exemplos pequenos comércios, prédios onde não é possível mais passar cabos ou fibra, e processos do sistema bancário que precisam de uma tecnologia complementar.

A Claro é a primeira operadora de telefonia móvel a oferecer serviço de banda larga fixa com essa tecnologia. Em seus planos comercializados, a aquisição do equipamento fica por conta do cliente. Mas a operadora alega que os preços desses equipamentos estão ainda altos. Uma das alternativas para popularizar a adoção desses equipamentos seria a redução dos impostos.

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Da Redação

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