Extensão de conflito entre Israel e Irã pode encarecer produção de eletrônicos no Brasil
Presidente da Eletros alerta para impacto logístico e cambial caso prolongue-se bloqueio de rota por onde passa 20% do petróleo mundial

O bloqueio do Estreito de Ormuz anunciado ontem, 22, pelo Irã em meio a guerra com Israel e Estados Unidos acendeu um sinal de alerta na indústria eletroeletrônica varejista brasileira. A avaliação é de Jorge Nascimento, presidente da Eletros, entidade que representa fabricantes do setor.
Em conversa com o Tele.Síntese, Nascimento afirmou que o impacto da medida pode ser significativo caso se prolongue, tanto sobre os custos logísticos quanto sobre os insumos importados utilizados na produção nacional de eletrodomésticos e equipamentos de tecnologia.
“O estreito concentra cerca de 20% do petróleo e gás transportados no mundo. Se esse bloqueio persistir, a tendência é de aumento no preço do petróleo, com impacto direto na inflação global”, afirmou. O executivo destacou que, com o encarecimento dos combustíveis, haverá um efeito em cadeia sobre os custos de transporte marítimo e aéreo, elevando os preços de componentes e produtos finais.
A preocupação é ainda maior porque os insumos usados pela indústria eletroeletrônica no Brasil são importados da Ásia. Segundo Nascimento, além da dificuldade logística, há um risco adicional com a variação cambial. “Em um cenário de conflito, o dólar tende a se valorizar, o que encarece ainda mais o produto final”, disse.
Nesta segunda-feira, Donald Trump, presidente dos EUA, anunciou um acordo de cessar-fogo entre Israel e Irã, ainda não confirmado pelos países. O fim do conflito, disse o político, será em 24h.
Comparação com pandemia
Questionado se o fechamento do estreito poderia causar uma disrupção comparável à vivida durante a pandemia de Covid-19, Nascimento evitou projeções definitivas, mas diz que vê um risco, embora menor. “Se o bloqueio persistir ao longo do segundo semestre, como foi com os gargalos logísticos na pandemia, o impacto pode ser severo. Ainda é cedo para cravar, pode ser prematuro, mas há o alerta no radar das empresas.”
Segundo ele, as cadeias globais de produção ainda não se recuperaram totalmente dos efeitos da crise sanitária, e um novo estresse logístico pode comprometer os estoques em datas críticas como a Black Friday e o Natal. “A indústria vinha de um primeiro semestre mais difícil, mas com expectativa de estabilidade no segundo. Agora, o cenário externo gera uma nova incerteza”, concluiu.

