Cidades inteligentes exigem rede dedicada, diz Forte Telecom
No Smart Cities Mundi 2026, executivo diz que VPN, SD-WAN e MPLS não substituem canais dedicados para tráfego sensível

Cidades inteligentes dependem de redes “realmente privadas” quando envolvem aplicações de missão crítica, dados sensíveis e sistemas internos de IA. A avaliação foi feita por Sergio Simas, CEO e founder da Forte Telecom e Forte Technology, durante keynote no Smart Cities Mundi 2026.
A fala teve como ponto central a diferença entre redes dedicadas e soluções que simulam privacidade sobre infraestrutura compartilhada. Simas resumiu a provocação em uma pergunta: “rede privada ou ‘sabor’ rede privada?”
O executivo afirmou que sua abordagem não busca desqualificar infovias, redes públicas, integração de infraestrutura ou parcerias com provedores regionais. Ao contrário, reconheceu que a dimensão do Brasil exige articulação entre diferentes agentes. “Isso no Brasil só é possível com parcerias. É um país muito grande, não teve infraestrutura ou investimento público no passado como muitos outros países, então a gente tem uma característica única aqui”, disse.
A ressalva, segundo ele, está no uso dessas redes para aplicações sensíveis. “A minha abordagem aqui é sobre projetos de missão crítica”, afirmou.
Diferença conceitual
Simas defendeu que VPN e SD-WAN podem ser adequadas para usos corporativos cotidianos, mas não devem ser confundidas com redes privadas físicas. “VPN e SD-WAN são túneis que criptografam a informação, mas passam pelo meio público, pela internet”, afirmou.
Ele também fez ressalvas ao uso de MPLS como sinônimo de rede totalmente privada. “Você está um pouco mais seguro, mas ainda assim você não pode chamar isso de exatamente uma rede 100% privada”, disse.
Para o executivo, a questão é de aplicação correta da tecnologia. “Uma rede SD-WAN, o VPN, elas são excelentes para coisas do dia-a-dia, interligação matriz-filial. Eu não estou condenando uma rede SD-WAN, eu só estou dizendo que para certas coisas, principalmente aplicações de missão crítica, eu não recomendaria, e esse é um alerta que eu quero abordar aqui.”
Case no Tribunal de Justiça do Rio
Como exemplo de rede dedicada, Simas citou o projeto da Forte Telecom para o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo ele, a operação interliga cerca de 150 pontos nos 92 municípios fluminenses, incluindo fóruns, presídios e ônibus da Justiça Itinerante. “É uma rede que ela é 100% dedicada ao TJ”, falou o executivo.

O projeto usa fibra e rádios microondas. Na parte óptica, citou tecnologias de multiplexação por comprimento de onda, como WDM, para separar canais na camada física. “Não é um compartilhamento de pacote, não é um switch. Eu corto o meio físico em slices. Então eu tenho ali as faixas, os canais da WDM, que é segmentado em camadas, então é um meio físico separado”, disse. Para ele, esse modelo permite operar uma rede “de forma privada, realmente privada”.
Disponibilidade antes da criptografia
A disponibilidade foi apresentada como o primeiro requisito de uma rede de missão crítica. Simas afirmou que, em meios compartilhados, um ataque direcionado a outro cliente pode afetar a operação de quem usa a mesma infraestrutura. “O outro cliente da operadora que está te atendendo recebe um ataque, um flood, uma amplificação de DNS, uma botnet, e isso vem entupindo o canal da operadora que o atende, que é o mesmo que atende você”, disse.
Para ele, esse tipo de cenário pode comprometer a disponibilidade de aplicações críticas. “Então você começa a ter um problema de indisponibilidade porque o teu meio físico de quem te atende está sendo floodado”, afirmou.
Simas também citou riscos de falta de determinismo em redes dimensionadas por uso médio. “Você não pode contar necessariamente com aquilo que estão te entregando, porque você não conhece a gestão do meio físico no meio do caminho”, disse.
IA interna e dados sigilosos
O executivo relacionou a discussão à proteção de bases sensíveis e sistemas internos de IA. Ele citou, como exemplo, o risco de usar redes não dedicadas para bancos de dados de tribunais, ambientes financeiros e sistemas de análise baseados em LLMs. “Agora, você não vai fazer isso com um banco de dados de um tribunal, onde tem IA, LLM interna rodando, analisando 30 anos de decisão de todos os magistrados nativos. Você não vai fazer isso com o setor financeiro, você não vai fazer isso com coisas críticas”, afirmou.
Na visão de Simas, a avaliação de projetos críticos não pode se limitar ao custo. “Se a gente sempre olhar só custo, e eu vou pegar uma rede crítica, com dados sigilosos, com segredo de Estado, com processos que ocorrem em segredo de justiça, com dados financeiros, e vou deixar ele disponível para que uma falha de segurança do maior fabricante de equipamento de SD-WAN e VPN do mundo leve uma semana para corrigir, qual o tamanho do estrago? A gente não sabe nem calcular”, disse.
Ao encerrar, o executivo resumiu as alternativas que considera adequadas para aplicações sensíveis. “A gente tem focado muito em rede realmente Privada mesmo, como canais dedicados, Fibra apagada, micro-ondas 5G privado”.
Para Simas, o 5G privado entra nessa categoria quando há uma faixa de frequência dedicada ao projeto. “Ali você faz privado. É uma faixa de frequência dedicada pra você e pro seu projeto”, finalizou.


