Cibersegurança: investimento no Brasil somará R$ 104 bi até 2028
Embora Brasil apareça bem posicionado no ranking global de cibersegurança, há escassez de profissionais e alto número de ataques
Segundo dados do Relatório de Cibersegurança 2025: Panorama e Insights publicado nesta terça-feira, 22, pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o Brasil encontra-se em 12° lugar no mercado de segurança cibernética.

O documento prevê projeção de gastos de R$104,6 bi entre 2025 e 2028 em cibersegurança no Brasil, um crescimento de 43,8 para esta área. “Este lado positivo revela que o país tem um arcabouço que mostra uma robustez e uma preocupação do país em se organizar em cibersegurança”, explicou, ao apresentar partes do relatório em painéis durante evento online nesta terça.
Carência de profissionais
Com crescimento médio de 16,1% a.a. em empregos em segurança da informação, a previsão é de que 30 mil pessoas sejam capacitadas na área pelos Hackers do Bem até o final de 2025. A análise considera duas ocupações específicas da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO): Gerente de Segurança de TI e Administrador em Segurança da Informação.
No entanto, profissionais da área podem estar classificados em outras CBOs, como Analista de Sistemas ou Engenheiro da Computação, o que pode levar à subrepresentação do total de empregos em segurança da informação.
Dados do documento mostram que o número de graduados em Segurança da Informação em 2023 foi de 1.849, um aumento de 15,3%em relação ao ano anterior, 2022.
Ataques no Brasil
Embora Brasil apareça bem posicionado no ranking global de cibersegurança, número de tentativas de ataques cibernéticos é alarmante. Em março de 2025, 38% da população brasileira foi vítima de golpe bancário (ou tentativa de golpe). O custo médio de uma violação de dados no Brasil foi de US$ 1,36 milhão em 2024. Em 2023, o país registrou um total de 60 bilhões de tentativas de ataques em 2023.
Para a Brasscom, “Brasil vive um paradoxo em cibersegurança: enquanto lidera em inovação no sistema financeiro, com soluções como o PIX e um dos Open Bankings mais completos do mundo, também se torna um alvo cada vez mais exposto a ataques cibernéticos.”
Segundo o relatório, o principal ataque cibernético no Brasil, por incidência, é o Phishing, onde o criminoso cria uma isca como um e-mail com urgência, induzindo a vítima a clicar em um link falso ou usar um site clonado que imita o original, obtendo assim dados sensíveis a partir de programas nocivos.
Considerado um dos países com os sistemas bancários mais avançados e modernos do mundo em termos de inovação e digitalização, no Brasil, são movimentados mensalmente R$1,5 trilhão pelo PIX. Conforme o documento, os 5 principais tipos de golpes bancários sofridos em março de 2025 envolviam ciberataques:
- 40% – Golpe da clonagem de cartão de crédito ou troca de cartões- Captura dos dados da tarja/chip do cartão via dispositivos físicos ou digitalização
- 28% – Alguém se fazendo passar por um conhecido solicitando dinheiro por WhatsApp- Uso de engenharia social em plataformas digitais para simular identidade e pedir dinheiro
- 26% – Golpe da central falsa onde alguém pede seus dados por telefone- Phishing por ligação telefônica passando-se por atendente oficial para roubar dados sensíveis
- 16% – Golpe do Pix- Varia conforme o vetor, podendo ser link malicioso, QR falso ou engenharia social com urgência
- 11% – Golpe com utilização do CPF através de SMS- Envio de mensagens SMS falsas com links maliciosos para captura de dados pessoais.
Custo da violação de dados
Em 2024, o Brasil teve o terceiro maior aumento no custo de violação de dados (11,5%), atrás apenas da Itália (22,5%) e Alemanha (13,7%). O custo médio de uma violação de dados em 2024 foi de US$ 4,88 milhões, 10% a mais que em 2023.
Mais da metade das organizações violadas enfrentam altos níveis de escassez de pessoal de segurança. Essa questão representa um aumento de 26,2% em relação a 2023, uma situação que correspondeu a uma média de US$ 1,76 milhões a mais em custos de violação em 2024.
Número de ataques cibernéticos ou tentativas no Brasil mostra que mercado de cibersegurança precisa avançar. “Embora a segurança de TI seja a segunda maior prioridade para as empresas em 2025, ela aparece apenas em quarto lugar nas intenções de investimento em tecnologias digitais, indicando uma possível lacuna entre a percepção de importância e a alocação efetiva de recursos”, conclui o relatório.
