Board da Telecom Italia nega que influência do fundo Elliott seja desproporcional

Operadora comunicou ainda criação de área para tocar a fusão da rede fixa com a da Open Fiber, e da unidade de infraestrutura móvel com o braço também de infra da Vodafone Italia

Após reunião realizada nesta segunda-feira, 6, o conselho de administração da Telecom Italia (dona da TIM Brasil) decidiu contestar relatório feito pelo conselho de auditores estatutários da companhia. O documento diz haver uma influência desproporcional do fundo norte-americano Elliott na operadora, o que o board, escolhido em parte pelo fundo, nega.

“Baseando-se em avaliação preliminar do comitê de interessados, o conselho de administração não concordou [com o relatório dos auditores] por voto majoritário, e com três abstenções”, diz a empresa em comunicado.

Na prática, significa que o conselho não vê necessidade de tomar qualquer medida para reduzir a influência do fundo no destino da companhia. O board justifica a decisão afirmando que a análise do conselho de auditores não atendeu todos os requisitos legais.

O Elliott tem cerca de 9% das ações da operadora. A Vivendi é a maior acionistas individual, com 24%. O governo italiano, por meio do banco estatal CDP, 5%. Ainda assim, na reformulação do conselho de administração ano passado, o fundo americano conseguiu emplacar suas indicações.

Venda de ativo e mudanças

A operadora confirmou ainda rumores de que negocia a venda da participação que possui na Persidera, empresa de mídia. Este é “um dos objetivos” para os próximos três anos, disse a empresa em comunicado.

De acordo com a agência de notícias Reuters, o fundo italiano de infraestrutura F2i propôs comprar o ativo por € 240 milhões a € 250 milhões. O negócio poderá ser fechado ainda este ano, uma vez que a oferta agrada o conselho. Mas, como a Telecom Italia tem 70% da empresa, precisa do aval do grupo Gedi, dono dos 30% restantes, para seguir com a venda de sua parcela.

A empresa comunicou ainda que o CFO, Piergiorgio Peluso, foi alçado a novo cargo, o de responsável por “projetos estratégicos e especiais”. Esta área será responsável por tocar a possível fusão da rede de acesso fixo com a da rival Open Fiber. Também deverá fundir a Inwit, braço de infraestrutura móvel, com a unidade de infraestrutura da Vodafone na Itália.

Para o cargo de CFO foi chamado Giovanni Ronca, que vem no mercado financeiro. Todas as mudanças teriam sido planejadas pelo CEO Luigi Gubitosi.

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Rafael Bucco

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