Alares avança em São Paulo e prepara rede “AI-ready”

Executivo atribui mudança no ranking a expansão orgânica, aquisições e integração de ativos; operadora afirma que São Paulo seguirá entre seus mercados prioritários.

A Alares se tornou o segundo maior provedor regional de banda larga fixa de São Paulo, segundo Denis Ferreira, CEO da companhia, com base na mais recente divulgação da Anatel. Em entrevista ao Tele.Sìntese, o executivo afirmou que a posição é resultado de um plano iniciado em 2023, com reorganização interna, expansão orgânica e aquisições no estado.

A operação da Alares em São Paulo alcançou 368 mil clientes e 2,2% de market share no estado. A companhia está à frente de outros provedores regionais, como Allhoa Fibra, Vero, Algar. Há três anos, ocupava a quarta posição entre os ISPs. Denis resumiu a trajetória da empresa da seguinte forma: “Ela não é por acaso, ela é pensada e ela é bem estruturada, desde 2023.”

Atualmente, apenas a Desktop, com 7,7% de share no estado está à frente entre médios provedores da Alares na região. Empresa esta que está em fase de fusão com a Claro. Após a união, Claro será o player número 1 do estado, a Vivo o segundo, e a Alares, o terceiro.

Crescimento orgânico e aquisições

Ao detalhar a estratégia em São Paulo, Denis disse que o avanço teve duas frentes. A primeira foi o crescimento orgânico, com reforço da presença no norte do estado, em cidades como Mococa, São João da Boa Vista e Casa Branca. A segunda foi a abertura de novas praças por meio de projetos greenfield. Segundo ele, a companhia lançou Limeira, Rio Claro, Araras e Atibaia com tecnologia XGS-PON, o que ajudou a ampliar participação nessas áreas.

Na frente inorgânica, ele citou três aquisições. “Em 2023 nós compramos a Webby”, afirmou, ao mencionar uma base de aproximadamente 115 mil assinantes. Depois, disse, veio a compra da Azza, em 2024, com cerca de 140 mil assinantes, seguida pela aquisição da IPNET no ano passado, com mais 25 mil assinantes, a qual “integramos ela em três meses”, contou.

Denis disse que São Paulo já é o principal mercado da Alares. O executivo acrescentou que o estado é “um dos principais mercados” para crescimento, embora não seja o único.

Consolidação e próximos passos

A empresa pretende seguir ativa em consolidação. “O papel da Alares continua ser consolidador do mercado de banda larga”, afirmou Denis. Ele disse ainda que a companhia mantém “um pipeline interessante de contatos com ativos” e que busca mercados com capacidade de crescimento, redes FTTH de boa qualidade e empresas com governança que facilite integração.

Na avaliação do executivo, a competição local com a Desktop existe, mas o cruzamento de áreas entre as duas operadoras ainda é limitado. “O nosso overlap é baixo com as áreas da Desktop”, afirmou.

Sobre entrada em móvel como MVNO, ele descartou essa prioridade no curto prazo: “Neste momento, nós não enxergamos o móvel como um investimento.” Também disse não ver o FWA como substituto da fibra, diante do potencial avanço da Unifique utilizando o 5G em espectro obtido da Amazônia 5G. “Eu não acho que o FWA seja uma tecnologia que compete com o FTTH, é uma tecnologia complementar”, justifica.

Rede nova até o segundo trimestre

Denis também relacionou o avanço comercial a uma modernização nacional da rede da Alares, iniciada no fim de 2025 e prevista para terminar no segundo trimestre de 2026. Segundo ele, a revisão abrange “core, agregação, acesso, transporte, todos os níveis”. O executivo disse que a nova arquitetura busca preparar a empresa para demandas ligadas a cloud, inteligência artificial e proteção contra ataques cibernéticos. “Nos prepara para uma rede que é AI-ready”, declarou.

O valor previsto para os investimentos, ela ainda não abre. Mas resume que o consumo de IA está mexendo com os hábitos do consumidor e com o tráfego de dados. “Antes o download era mais importante do que o upload. Agora são igualmente importante, bem como os tempos de resposta para processamento das questões”, concluiu.

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Rafael Bucco

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