Presidente da Febraban defende “bancões” e provoca bancos digitais: “Não fazemos marketing, temos história”

Na abertura do Febraban Tech 2023, Isaac Sidney destacou que instituições tradicionais têm presença física em todo o País e promovem ações concretas, enquanto negócios digitais se baseiam em “falatório”
Presidente da Febraban sai em defesa de "bancões" e provoca negócios digitais na abertura do Febraban Tech 2023
Na abertura do Febraban Tech 2023, presidente da federação defendeu “bancões” e criticou bancos digitais (crédito: Eduardo Vasconcelos/DMI/TeleSintese)

Conhecidos por terem abocanhado parte do mercado bancário brasileiro, os bancos digitais e as fintechs foram alvos de um recado direto do presidente da Federação Brasileiro de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, nesta terça-feira, 27. Durante a abertura do Febraban Tech 2023, em São Paulo, o executivo destacou que as instituições tradicionais têm uma “base sólida” e não atuam “fazendo marketing e publicidade”.

“A concorrência recém-chegada nos chamam de ‘bancões’ em tom de demérito, como se fosse algo jocoso. Tenho para mim que esse tom acaba revelando algo que aqueles que nos criticam não têm: história”, frisou Sidney. “Isso nos deu uma base sólida e presença física em todos os estados do País. Os bancos têm robustez, solidez e segurança acumulada em muitos anos de operações”, complementou.

Sidney ainda ressaltou que o futuro dos bancos tradicionais, instituições que congregam mais de 180 milhões de clientes no País, se baseia em “mais ações concretas, e menos falatório”, em outra provocação ao modelo de atuação dos novos concorrentes.

“Temos como acolher os brasileiros em ‘nossas casas’, as nossas agências. E somos virtuais para quem pode e para quem quer ser virtual. Não estamos apenas em links digitais”, afirmou Sidney, cutucando mais uma vez os bancos digitais e as fintechs.

Recado para o governo

No discurso de abertura do evento, o presidente da Febraban também mandou um recado para o governo federal, citando que “inflação e juros não acontecem por acaso”. Sidney ainda afirmou que a federação não apoiará politicas que questionem a racionalidade econômica.

“Temos e continuaremos a ter um papel importante para que os bancos direcionem os recursos para o desenvolvimento sustentável. E esse caminho não aceita atalhos”, pontuou. “Quando falhamos na condução da economia, temos inflação, desequilíbrio orçamentário, juros altos e desemprego. Os bancos sempre estarão do lado correto, independentemente das políticas governamentais”, assegurou.

Em um vídeo gravado, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, declarou que o governo conta com o apoio do setor financeiro para difundir o novo regime fiscal e promover uma reforma tributária que, ao mesmo tempo, estimule a produção e desonere o investimento e as exportações, ações que fazem parte do “projeto de neoindustrialização do governo do presidente Lula”.

“O diálogo permitiu o desenvolvimento do Pix. Precisamos avançar em uma agenda de competitividade que favoreça o crescimento”, disse Alckmin.

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Eduardo Vasconcelos

Jornalista e Economista

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