Mais fabricantes de celulares planejam investir no Brasil em 2025, diz Eletros

Setor de TICs registra alta de preços e desempenho moderado no ano; crescimento expressivo de 2024 pressiona comparativos

Foto: Freepik

Pelo menos duas fabricantes de celulares estão com planos de instalação no Brasil ainda em 2025, conforme afirmou Jorge Nascimento, presidente executivo da Eletros, nesta segunda-feira durante a Eletrolar Show, evento que acontece nesta semana em São Paulo.

Segundo ele, há interesse de empresas da China e da Europa em produzir localmente, movimento impulsionado pela aprovação da reforma tributária e pela necessidade de diversificação das cadeias produtivas globais. Ele não quis citar os nomes das pretendentes.

A entidade planeja levar representantes desses investidores aos governos estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Amazonas e Paraná, além do governo federal, para apresentar propostas e buscar apoio à atração desses empreendimentos. Além das empresas de celulares, a Eletros também recebeu sinalizações de ao menos três fabricantes de ar-condicionado interessadas em investir no país – o que pode ter reflexo sobre custos de sistemas de resfriamento para data centers, por exemplo.

Boa fase

O anúncio ocorre em um contexto de bom desempenho do varejo de tecnologia da informação e comunicação (TICs). De acordo com levantamento da NielsenIQ/GfK apresentado no evento, o mercado brasileiro de bens duráveis de tecnologia (Tech & Durables) cresceu 4% em volume e 8% em faturamento no primeiro quadrimestre de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. O desempenho é considerado positivo, sobretudo porque o ano passado registrou crescimento de 11% em volume e de 7% em receita, superando números dos quatro anos anteriores.

Entre os destaques de 2025 estão os tablets, com aumento de 29% nas vendas de janeiro a abril deste ano, e os dispositivos vestíveis, como smartwatches e pulseiras inteligentes, que cresceram 27%.

O segmento de smartphones também avançou, especialmente com a ampliação da presença de modelos com 5G e 256 GB de armazenamento. No mercado de tecnologia da informação, houve crescimento nas vendas de monitores e notebooks, impulsionado por consumidores da geração millennial e pela demanda do público gamer.

Preço mais alto

O setor registrou alta nos preços médios dos produtos no primeiro semestre, reflexo da descontinuação das promoções agressivas que marcaram o final de 2024, como a Black Friday, e também da elevação das tarifas de importação sobre insumos como aço e plástico.

Segundo a Eletros, a nova alíquota aplicada a esses materiais alcança até 25%, o que tem pressionado os custos industriais, especialmente na produção de celulares, notebooks e dispositivos de grande porte.

Outro fator que preocupa a indústria é o mercado cinza. A Eletros estima que aproximadamente 20 milhões de celulares entram no país por canais irregulares a cada ano.

A NielsenIQ diz que seu monitoramento cobre apenas o mercado oficial, embora parte do volume do mercado cinza aconteça por canais como marketplaces e plataformas informais, o que afeta a concorrência e distorce a leitura real da demanda.

Para o segundo semestre de 2025, a expectativa do setor é de recuperação gradual, apoiada nas vendas de datas comemorativas como a Black Friday e o Natal. Em 2024, essas datas impulsionaram resultados recordes para o setor.

A indústria aposta na continuidade da demanda por produtos tecnológicos, especialmente nas categorias com baixa penetração anterior, como tablets e dispositivos vestíveis, que vêm conquistando consumidores em sua primeira compra.

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Rafael Bucco

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