5G nas capitais: alta demanda de filtros impacta cronograma

CEO da EAF explica que mudança nas especificações dos equipamentos e ritmo de fabricação na Ásia impactou cronograma de ativação da tecnologia nas capitais. Tema foi discutido em live promovida pelo Tele.Síntese.
(Crédito: Freepik)

Leandro Guerra, CEO da EAF, entidade responsável pela limpeza da faixa de operação do 3,5 GHz, afirma que a prorrogação da ativação do 5G nas capitais, anunciada na última semana, foi provocada pela “demanda maior de filtros associada a uma dificuldade do mercado de entregar mais equipamentos”. O tema foi discutido em live realizada pelo Tele.Síntese, nesta segunda-feira, 15.

Guerra explicou que o aumento da demanda está influenciado por dois fatores. Um deles é a mudança na especificação dos filtros para a classe de estações abaixo de 3.800 MHz. “Isso colocou a EAF com pedidos novos no mercado para poder atender essa demanda nova, porque é uma especificação que foi redefinida [no início de julho] e nós tivemos um planejamento de entrega desses filtros, que tem seguido com alguma dificuldade em função da linha de produção estar comprometida na Ásia”, disse o CEO.

De acordo com Guerra, a EAF identificou também que as antenas de recepção de satélites que têm dupla polarização exigem mais filtros. Considerando todas as questões técnicas, foram necessários 400 novos conjuntos de filtros, aproximadamente.

“Para se ter uma ideia, quando nós recrutamos Brasília, existia uma relação para estação abaixo de 3.8 MHZ da ordem de 1.9, ou seja, quase 2 filtros por estação cadastrada. Quando nós chegamos em São Paulo, essa relação tinha subido para 2.4, um aumento em função da necessidade de campo. Agora, quando chegamos na última etapa, que é Salvador e Goiânia, essa relação subiu para 4 filtros por estação cadastrada operando abaixo de 3.800 MHz. Em Curitiba essa relação chegou perto de 6”, afirmou o CEO da EAF.

Leandro Guerra, CEO da EAF (Foto: Tele.Síntese)

Outro fator que impacta no número de filtros necessários para evitar a interferência nas FSSs ao ativar o 5G nas capitais é a reabertura de cadastro das estações na Anatel. No final de julho, o Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência (Gaispi) afirmou que só no primeiro mês de operação em Brasília três estações sofreram interferência por não estarem cadastradas.

Revisão do cronograma do 5G nas capitais

Guerra destaca que a revisão do cronograma faz parte da garantia de qualidade nas implementações. “Queria colocar bem claramente que não há um atraso. O que existe é um processo muito bem executado, de uma forma muito responsável. A premissa é proteger 100% das estações FSSs, não deixar ninguém pra trás, para que isso seja feito de uma forma muito tranquila e que o Brasil não só tenha um impacto positivo para o 5G mas também garanta a continuidade do serviço de recepção da TVRO”.

Também participando da live, o presidente da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Flávio Lara Resende, afirmou que as emissoras entendem o ritmo do trabalho da EAF.

“Nós apoiamos essa prorrogação na sexta-feira e acho que a EAF está fazendo com muito cuidado. É muito importante pra gente esse cuidado com as estações, para que não tenha nenhum tipo de interferência. Não podemos fazer na correria”, defendeu Resende.

Ainda de acordo com Resende, houve ocorrências de interferências apenas nas fases de teste, antes da operação oficial do 5G nas capitais que já receberam a tecnologia.

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Carolina Cruz

Repórter com trajetória em redações da Rede Globo e Grupo Cofina. Atualmente na cobertura dos Três Poderes, em Brasília, e da inovação, onde ela estiver.

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