4G brasileira, com poucos e caros modelos de celular.

miriam 03Apenas 12 smartphones estão disponíveis para o mercado brasileiro, enquanto no mundo existem mais de 400 tipos.

 

A quarta geração da telefonia móvel chegou ao Brasil, oficialmente, neste trinta de abril, quando as quatro grandes operadoras de celular - Claro, Oi, TIM e Vivo - lançaram o serviço pelo menos nas seis cidades da Copa das Confederações, conforme estabelecia a agência reguladora. A introdução da LTE (Long Term Evolution), tecnologia de comunicação de dados da telefonia celular, que permite velocidades até quatro vezes maiores do que as versões mais antigas, sem dúvida é um passo importante, e coloca o Brasil em posição de vanguarda. Hoje, conforme o forum 4G Americas, apenas 70 países têm pelo menos uma rede de celular oferecendo o serviço de quarta geração.

 

Mas um desafio grande que o consumidor brasileiro vai enfrentar é a escassez de modelos de celular para o nosso mercado, que impede que seus preços tenham quedas importantes, apesar do esforço do governo federal, que recentemente diminuiu quase 10% o preço dos aparelhos, com a desoneração do PIS/Cofins. Conforme a lista da Anatel, apenas 12 modelos de celulares - de quatro fabricantes - estão homologados para funcionar em nossa rede de celular. Segundo relatório da Pyramide Research, em 2012 havia, por sua vez, em todo o mundo pelo menos 417 tipos de aparelhos com esta tecnologia (incluídos nesta lista os modens de acesso à internet).

 

Aqui, o mais novo aparelho a se incorporar a esta escassa lista é o Galaxy S4, da sul-coreana Samsung, que tem também outros três modelos já homologados pela Anatel. O iPhone, da Apple, em qualquer de suas versões, está fora da rede 4G brasileira. Além da coreana, têm também modelos aprovados para o mercado brasileiro a norte-americana Motorola, com dois modelos; a Nokia, com dois modelos; e um tipo de aparelho da Blackberry e outro da LG Eletronics. Eis tudo. E o preço para a maioria deles está bem acima de R$ 2 mil.

 

A pouca disponibilidade de aparelhos para o mercado brasileiro se deve à frequência escolhida para lançarmos a quarta geração. Embora aprovada pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) como uma das bandas a ser reservada para a telefonia móvel, a faixa de 2,5 GHz escolhida pela agência para acolher a nova tecnologia LTE é muito alta, o que obriga a colocação de muito mais antenas e postes, encarecendo a construção da infraestrutura. É por isso que na maioria dos países onde a 4G está sendo implantada, busca-se frequências mais baixas - de maior alcance - e a preferida é a de 700 MHz.

 

Em todo o mundo esta frequência, conhecida por UHF, também era ocupada pelas emissoras de TV analógicas, que foram desligadas mais rapidamente nas demais nações para dar espaço à banda larga móvel. No Brasil, o Ministério das Comunicações pretende iniciar o processo de limpeza desta faixa em 2015. Para os operadores brasileiros, o ideal seria que esta frequência fosse comercializada juntamente com a de 2,5 GHz, pois os custos da implantação da 4G cairia pela metade. Como isto não ocorreu, a nobre faixa de 700 MHz perde um pouco de seu valor para os atuais players, que já vão fazer fortes investimentos para cumprir as pesadas metas de cobertura impostas pelo regulador brasileiro.

 

É certo que ao redor do mundo, a LTE está sendo implantada nas mais distintas faixas, até porque cada vez mais o celular e a banda larga móvel tornam-se prioritários deslocando os demais serviços para áreas mais inóspitas do espectro radioelétrico. Só como exemplo, ainda segundo a 4G Americas, até o final do ano passado, na América Latina e Caribe apenas oito países tinham redes com LTE, em seis frequências ou combinações de bandas distintas.

 

Na faixa de 700 MHz havia Bolívia e Porto Rico e Antigua (em TDD). Nas faixas de 1,7/2,1 GHz estavam operando empresas do México, Paraguai, Porto Rico e Uruguai. Nas faixas de 850 MHz/1,9 GHz também Porto Rico, com a Sprint; na banda de 1,8 GHz, a República Dominicana; na de 1,9 GHz a República Dominicana e o Paraguai e na de 2,5/2,6 (igual a brasileira), a Colômbia tinha o serviço.

 

Mas a maioria dos usuários está mesmo usando a tecnologia na faixa de 700 MHz. A LTE fechou 2012 com 68,3 milhões de assinantes, dos quais 55% (37,6 milhões) são norte-americanos e canadenses, e os outros 40% (27,6 milhões) pertencem aos países da Ásia Pacífico, que também têm o serviço nesta banda. Por isto, um número maior de aparelho, já que é onde está o mercado consumidor.

Velocidade

 

Embora a tecnologia LTE  prometa para este ano velocidades de 1,2 Gbps para download e 568 Mbps para up load (em bandas com no mínimo 40/40 Mhz), para o modelo brasileiro, onde as frequências foram dividas em blocos de 10/10 MHz e 20/20 MHz, os fabricantes chegam a garantir 300 Mbps de velocidade para donwload e 45 Mbps para o up load. Mas as quatro grandes operadoras brasileira lançaram seus pacotes e foram bem tímidas em suas ofertas, assegurando apenas 5 Mbps de velocidade.

 

Ora, essa parcimônia tem uma razão de ser: as metas de qualidade da Anatel. Como há obrigação de entrega de velocidades mínimas, as empresas não querem arriscar muito. Até o final do ano, o Brasil terá o dobro de cidades cobertas com LTE. Vamos torcer para que o número de assinantes também cresça de  maneira significativa.  

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